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GABRIEL, DE SUBSOLO ARTE INC., FALA SOBRE OS SEGREDOS DE SUA PROFISSÃO

Interview
- Qual é a sua história pessoal? Como você se tornou proprietário ou gerente do negócio?
- Por volta dos 14 anos de idade, apercebi-me que me destacava dos colegas de escola a nível de desenho e que me dava um prazer enorme estar com um papel e algo que escrevesse, a desenhar. Aos 16 deixei a escola e comecei a trabalhar numa oficina de mecânica. Depois fui para outra de máquinas elétricas até aos 20 quando tive que cumprir serviço militar. Após a tropa na Marinha de Guerra Portuguesa, com o serviço de eletricista, ingressei no Arsenal do Alfeite ainda em eletricidade. Durante todo este tempo, sempre que tinha uma folga, e em casa, dedicava-me ao desenho e quem me rodeava, repetia a frase que tenho ouvido mais na vida: "estás a perder-te aqui". Mas sem escolaridade, casado e com filhos, torna-se difícil enveredar por uma vida artística em Portugal. Associado à paixão pelo desenho/pintura, e pelas minhas opções musicais, tive muito cedo contacto com a tatuagem, que me despertou imediatamente a atenção e via um caminho onde me poderia expressar, fora dos ramos comuns da Arte. Só que não tinha qualquer contacto que me direcionasse o caminho que teria que percorrer. E estou a referir-me a uma altura em que não existia internet. Felizmente, há meia dúzia de anos, transmitiram na televisão por cabo, um programa sobre tatuagens. Assistia-o "religiosamente". E havendo já estabelecimentos onde poderia adquirir o "kit para principiantes" de tatuagem, resolvi fazer um esforço para poupar algum dinheiro a fim de o obter. Assim o fiz e comecei logo a praticar e algumas "cobaias" que me conheciam e incitavam-me a dar esse paço. Atendi os meus primeiros clientes em casa e fui obtendo bom "feedback" de maneira a ir tatuar a estabelecimentos comerciais. Entretanto, o Arsenal do Alfeite foi remodelado e saí com uma subvenção mensal e liberdade para procurar um sitio, mais indicado, e meu, que pudesse receber os meus clientes. Encontrei uma loja no Centro Comercial do Feijó e estive lá 3 anos, onde evoluí bastante mas tornou-se pequena para os meus planos. Hoje estou na Rua do Sargento da Armada no nº 27-B, no Feijó, num salão com boas dimensões, onde pretendo dar continuidade à minha arte e introduzir novos serviços, que tenham a ver com bem estar, tanto físico como psíquico, onde creio que a tatuagem se encontra. Falo de estética em geral, massagens, medicina tradicional oriental, remoção de tatuagem com laser, micropigmentação, entre outros. Tem sido um desafio e aventura interessante.
- O qué é o que os clientes exigem atualmente?
- Na minha área, preocupam-se (e ainda bem) bastante com a higiene. É um fator importantíssimo que distingue um trabalho profissional, de um amador. Está-se a lidar com o cliente em toda a sua essência. Sistema imunitário, capacidade de recuperação de lesões físicas, etc. E também com a parte emocional. Há tatuagens que significam muito para os clientes, daí exigirem ir de encontro com a sua ideia, originalidade quando possível e sempre muita qualidade. Derivado da atual condição económica, exigem também preços baixos. Coisa que temos sempre em conta mas onde tem que existir um limite para cumprir com as despesas inerentes a esta atividade.
- Qual é sua dica para sobreviver à crise?
- Dar aos clientes aquilo que procuram. Dá-lo com qualidade e bom atendimento. Inovar. Não estagnar. Procurar que o nosso trabalho seja apreciado pelo maior numero de clientes/alvo possível. Criar projetos interessantes. Conviver salutarmente com a "concorrência". Nunca pressupor que já se sabe todos os meandros da nossa atividade, deixar sempre espaço para aprender coisas novas. Trabalhar, trabalhar, trabalhar.
- Quais são as marcas que você vende mais em seu negócio (ou você usa para fornecer os seus serviços) e por quê?
- As marcas que uso, não são do conhecimento do publico em geral. São específicas para esta atividade. Fator que é determinante para uma boa conclusão do trabalho e garante de higiene e salubridade. No entanto posso deixar aqui uns nomes: Eternal Ink, , Stigma, Dettol, Micky Sharpz, Lauro Paolini, entre outras.
- Qual é a última coisa que você tem feito para se diferenciar da concorrência?
- Como já referi, quero utilizar um conceito de estabelecimento onde a tatuagem se enquadre em outras atividade destinadas ao bem estar físico/psicológico do individuo. Creio que é tão importante sentirmo-nos saudáveis fisicamente como é gostar do involucro que vemos quando nos olhamos ao espelho. Ainda mais quando carregamos a arte que nos vai na alma ou exprimimos os nossos sentimentos no corpo, numa ação que nos vai acompanhar o resto da vida e depois dela. Esse conceito associado à constante preocupação de atingir os objetivos de quem nos procura e vê-los mais que meros clientes é, na minha opinião, inovador e diferente no ramo.
- Você sempre realizou a sua atividade atual? Você se desenvolveu em outro ramo de atividade?
- Infelizmente comecei a tatuar tarde na minha vida. Sempre andei de algum modo ligado ao ramo da eletricidade. Mas sempre com desprazer. O facto de nunca deixar de desenhar e de ser autodidata a nível de técnicas de desenho e pintura, conferiu-me confiança de dizer que nunca é tarde para perseguir os nossos sonhos e desenvolver a atividade que se gosta.
- Qual é o tipo de cliente que você tem?
- Todo o tipo. De ambos os gêneros. De várias etnias. Das mais variadas classes sociais. De todas as idades, embora predominem jovens e adultos de meia idade, já tenho trabalhado com pessoas mais "maduras" que espero vir a atrair ainda mais com os novos serviços, nomeadamente a micropigmentação. E tenho boas perspetivas para o futuro, quando alguns clientes me contam que os filhos, ainda crianças, em casa, andam a escrevinhar os braços todos porque querem ter uma tatuagem como o pai e a mãe.
Autor: Gabriel